sábado, fevereiro 26, 2011

If ignorance is bliss, then show me something funny

Por vezes, sob a sombra da ignorância apreciamos melhor a luz da vida. Há mesmo quem diga que quanto menos soubermos dos males que provocam dores de barriga ao Mundo, melhor fazemos a digestão do que se passa à nossa volta.
Eu, escriba de qualidade duvidosa, me confesso: sempre preferi ser um pouco mais miserável mas ter relativa noção do que me rodeia, do que ser apenas um idiota feliz. Tomei a opção de ser apenas um imbecil ligeiramente infeliz. Mas informado. Fantásico, não?
Bem, nem sempre. Se por um lado é interessante procurar saber a origem da revolta popular na Líbia, por outro lado roemos as mãos, os dedos, e os braços até ao côto quando pensamos no que isso poderá implicar em termos de subida do preço de petróleo. E poderíamos ficar aqui a discutir se seríamos colectivamente mais felizes se nunca tivessemos tomado conhecimento da variedade de usos que um saca-rolhas pode ter.

Tudo verdade, mas mantenho-me sempre do lado da informação - e do estado de espírito miserabilista.
Ou mantive, até saca-rolhar os meus olhos na direcção deste pictograma regado a verdadeirismo atroz.*

Pensam que sei quem é o segundo gajo em baixo a contar da esquerda? Não, nem por isso. Não faço ideia. Na realidade, em 1994 tinha mais que fazer do que andar a escalpelizar o plantel do Aves.** Entre coleccionar Transformers, tentar fazer load "" de cassetes que nunca cheguei a conseguir jogar no ZX Spectrum, tirar negativas a matemática e a ver os Jogos Sem Fronteiras, não tinha tempo para muito mais.

OK, talvez tivesse tempo para tirar macacos do nariz e colá-los nos cromos do Djoincevic. Aquela fronha metia-me medo, e sempre achei que a ideia de cobri-la com muco nasal pudesse ser de valor. Pelos vistos era, porque ainda hoje mantenho essa táctica cada vez que vejo uma foto da Manuela Moura Guedes (arrepios). (suores frios). (náuseas).
Mas lá está, não sei quem é o gajo. Pensam que isso me incomoda? Não.

Sou ignorante e gosto.

Estou feliz. Estaria neste momento a correr, dançar e rodopiar entre rododendros num verde prado sob o cálido sol da Primavera, se isso não fosse tão abichanado.

Sou néscio e adoro.

Não sei quem é o tipo, mas isso não me impede de apreciar todo o seu potencial bronco.
Uma mistura entre Maniche pré-obesidade mórbida e um aldeão revoltado do Braveheart.
O fruto de uma noite de paixão entre um penedo e um lutador de wrestling no início dos anos 90.
A encarnação humana do bigode do Agatão - curiosamente, ela própria sem bigode.
A validação futebolística do darwinismo.
Gosto da intensidade. Enquanto os restantes calceteiros do Desportivo avense parecem encarar o jogo com a casualidade e antecipação de um pano da louça molhado (liderados pelo mítico capitão Vitinha, que parece estar a ver a relva crescer há 6 horas non stop), o nosso amigo mistério está claramente preparado para arrancar onze cabeças à dentada - e caso se chame David Luiz, acabar os 90 minutos (...ou cinco anos em Portugal...) sem ser admoestado.

Finalizo com um reparo sobre a inatacável (?) masculinidade do artista em questão. Normalmente, um ser predisposto a eliminar civilizações à cabeçada ou a deglutir porta-aviões sem necessitar de mastigar mais de duas vezes teria que ser considerado bastante macho. Porém, fazendo fé na fotografia apresentada, o nosso misterioso australopiteco possui uma aparente disposição para acariciar coxas de outros homens.
Mas enfim...mais do que especular, terei que admitir que não sei. Não conheço, nunca me foi apresentado, não faço ideia. E sou feliz assim.
......
*representação pictográfica cuidadosamente pilhada do site desportivodasaves.blogspot.com
** apesar disso reconheço ali Luís Miguel, Garrido, Baptista, Joy e (claro) Vitinha. Adolescência perdida, eu sei.

domingo, fevereiro 13, 2011

Demétrios na terra da cafeína!

Mas alguém duvida que a Liga Zon Sagres Super Bock Control Meo BCP Gillette... precisa de um avançado como o Demétrios?


No seu estilo hip hop, rapper, yoooooooo Harlem boy, Demétrios fazia o terror nas defesas contrárias.
Basta ver os vídeos abaixo. O golo de bicicleta é digno de registo, mais ainda que os comentários do Gabriel Alves.
Aqui em Portugal começou no Campomaiorense em 1997. E após uma grande época com 16 golos, vai para o Boavista. Tal como Jimmy, o Campomaiorense era um viveiro de avançados... Jimmy, Laelson, Demétrios, Vincze, Wellington e Jorginho, sao apenas exemplos.
Esta relação profícua entre a terra do café e o clube da cafeína faz todo o sentido!!
No Boavista, teve que combater com Augustine Ahinful, esse mito ganês, Rogério, César Atienza e Formoso.
Mas que grande plantel. Obrigado Jaime Pacheco!

Depois, já nos anos 2001 e 2003 andou por Beira Mar e Moreirense. Neste clube, fez uma boa época treinado por Manuel Machado e era o principal beneficiado por um excelente Afonsôô Mááártinze.. (era assim que ele próprio pronunciava o seu nome )
Até que o Brasil chamou por Deméeeeeeeeetrios que jogou no Comercial e no Mineiros antes de acabar a carreira.

Fiquem com bons momentos deste avançado á moda antiga e que hoje muita falta faria ao futebol Português.




domingo, janeiro 30, 2011

Na Paas de um WC

A eterna questão: se o Manuel Subtil* fosse um jogador de futebol, quem seria?
Os nomes que imediatamente saltam à mente serão porvantura Barroso (por razões de natureza intestinal), Vukcevic (insanidade) e quiçá Dani (natureza sexual). E ainda há a hipótese de encontrarmos o Mamadu Bobó por lá escondido da bófia após ter finalmente ceifado a vida a um adversário em pleno relvado.

Mas este vosso escriba grita Paas a plenos pulmões. Mantenho a minha forte convicção de que o belga David seria bastante fácil de encontrar nuns quaisquer insalubres lavabos (da RTP ou não), por ser extremamente parecido com um piaçaba: é demasiado rígido de movimentos, erecto (insert sex joke here), branco, com uma escovinha no topo e ocasionalmente borrado de trampa.

Já agora - que falamos de fezes - conhecem a expressão "se a merda fosse ouro, X seria um tesouro"? Infelizmente, adaptando a dita frase ao nosso belga preferido, se o golo fosse ouro, Paas não seria certamente um tesouro: quatro (4) tentos em trinta e cinco (35) desafios não será porventura uma marca ao alcance de qualquer utensílio de WC, mas acredito piamente que caso puséssemos um piaçaba de 1m85 enterrado na marca de penalty durante 35 jogos a levar com cruzamentos de Capucho, Paneira, Riva, Fangueiro, Basílio Almeida, Quim Berto, e do Filho do Vento, a redondinha acabaria por fazer ricochete na escovinha e beijar a rede por mais de 4 vezes. Digo eu. Mas eu também pensava que um saca-rolhas só servia para tirar rolhas de garrafas e ocasionalmente para limpar o lixo das unhas, e o Mundo provou-me que estava errado, portanto não liguem.

A história foi bonita, mas curta. Após três anos a ouvir a "Return of the Mack" no balneário através do Ghettoblaster do Kasongo, David fartou-se e regressou à terra natal para limpar retretes na Primeira Divisão local durante mais meia dúzia de anos.

Por cá, órfãos de piaçaba, vimos a sanita da nossa bola encher-se de castanho durante épocas a fio, sempre na esperança que regresse um novo piaçaba para fazer a ménage. Ou que alguém se decida a puxar o autoclismo.

Post Scriptum Cromatium: dois posts seguidos em torno de matéria fecal.
Post Scriptum Cromatium II: para quem tem memória curta (ou selectiva), o Subtil foi o gajo com mau aspecto que se barricou no WC da RTP há uma década. Ameaçou explodir bombas, cometer suicídio, e pediu uma pizza. Basicamente o que todos nós fazemos quando vamos mandar um fax e temos prisão de ventre.

domingo, janeiro 09, 2011

Mercado de Inverno - Lukasz Merrrrrrrd*

Mercado de Inverno que se preze tem obviamente contratações de vulto.
A primeira que o nosso espião cromístico europeu encontrou foi esta...
Lukasz Merda.



Como é óbvio só podia ser Guarda Redes. É muito mais fácil gritar o nome dele quando a bola lhe passar entre as mãos, ou entre as pernas, por exemplo!
E mesma na rádio: "Ora vai a bola para o circulo central, muda de flanco .. aí vem um centro.. e o Guarda Redes prepara-se para segurar com facilidade... e ... ohhhh naooooooooo.. Merda!!!!"
Ver jogos do Klub Sportowy Cracovia tem por isso a sua piada.
O mais engraçado é que o estádio chama-se João Paulo II, o que dá um ar de ambiente são e espiritual, mas sempre com Merda presente..

quinta-feira, dezembro 30, 2010

BOAS ENTRADAS!!!

Desejamos umas BOAS ENTRADAS, que não inspiradas nestas que vos apresentamos de seguida:

domingo, dezembro 19, 2010

Ficheiros Secretos

O fenómeno Wikileaks arrasou todo o mundo. Obviamente, o futebol português não ficou imune. A Cromos da Bola, SAD, uma das poucas instituições com acesso aos documentos confidenciais, vem aqui publicamente divulgar sete ‘leaks’. Para que o grande público saiba realmente o que se passa nos bastidores do futebol português.


1 – Putnik e Sputnik são uma só e a mesma coisa. Uma vez passado o prazo de validade do satélite russo, que tanto furor fez nos anos 50 do século passado, os maquiavélicos russos pensaram logo numa forma de reaproveitá-lo. E vai daí, numa fantástica manobra cosmética, retiraram o “S” inicial e puseram o ex-satélite a espiar o campeonato português, justamente no Chaves e no Leça, clubes potencialmente problemáticos – os russos sempre desconfiaram do cabelo do Parfait N’Dong e do que as botas coloridas do Nando escondiam. Está assim explicada a pouca produtividade de Putnik e a sua aparente rigidez de movimentos.



2 – Maniche era para ser a Popota até assinar contrato com o Sporting. As semelhanças eram evidentes, mas agora ficou a saber-se de tudo. O médio anafado e com nariz aporcalhado estava na lista do Modelo para preencher o lugar da desgastada Popota. Mas assim que JEB prometeu um salário superior e uma renovação automática por um reduzido número de jogos, Maniche declinou a tentadora proposta do Modelo. O Modelo salvou-se assim de ter uma mascote que podia entrar de pés juntos à Leopoldina e morder as barbas do Pai Natal, embora Popota tenha ficado com o coração destroçado – “ele realmente era um símbolo para todos os hipopótamos”, confessou Popota numa carta ao Ruca.


3 – A imagem de Jesus Cristo foi construída com base em Dinis e não o contrário. Pensavam que o viril central copiara o estilo de Jesus Cristo, não? Pois, isso foi o que os americanos nos fizeram crer a todos… até ao próprio Dinis. A realidade é que o verdadeiro Jesus Cristo era mais ou menos como aquele jogador do Hapoel Telavive que marcou o terceiro golo contra o Benfica e os americanos acharam que isso era pouco comercial. Seria interessante fazer Jesus Cristo parecer-se antes com um central duro, de aspecto inesquecível e que se sacrificava humildemente para safar a sua equipa de descer de divisão. E vai daí, começaram a divulgar imagens de um Jesus Cristo parecido com o Dinis que todos nós conhecemos, na maior lavagem cerebral alguma vez protagonizada.


4 – Franco Jara é mesmo jogador de futebol. Uma comunicação havida entre as embaixadas argentina e americana dá conta de que Franco Jara é, efectivamente, um jogador de futebol, pese embora todas as suspeições que se levantam em torno deste tema. Na mesma comunicação foi referido que Nelson Benítez é afinal um técnico de contabilidade e que Andrés Díaz fugira de um centro de reabilitação profissional após uma experiência mal sucedida enquanto electricista, mas assegura com toda a convicção que Jara é mesmo jogador da bola. Os americanos ficaram boquiabertos, ainda mais que o director financeiro do Benfica, que viu alguns milhões de euros esfumarem-se por entre os dedos – embora, depois de Balboa, já pouco o espante.


5 – Paulinho Santos esteve a um passo de entrar para um Convento das Carmelitas Descalças. O vigoroso médio caxineiro, conhecido pelas sessões de amor violento com João Pinto, por simular lesões e por, basicamente, bater em tudo o que mexesse à sua volta, foi até aos 16 anos um rapazinho tranquilo e temente a Deus. Paulinho, que era Santo até no nome, só pensava em dedicar o seu coração à bondade e meditação, falando com as flores, ajudando em missões humanitárias, dizendo que achava o Andréum bocado bruto demais para o meu gosto” e tendo como alcunha na escola “Bambi”. O clique deu-se quando descobriu que a Ordem a que sempre sonhou pertencer não podia contar com rapazes. A partir daí, Paulinho tornou-se feroz e vingativo, fez-se pupilo do temível Guarda Abel e toca de aviar frutas e chocolatinhos a torto e a direito, com os resultados práticos conhecidos.


6 – Caccioli fez as pizzas para o filme das Tartarugas Ninja. O magistral Caccioli, que tantas e tão boas tardes de futebol propiciou no eufemisticamente designado campo de futebol Adelino Ribeiro Novo e que agora gere uma pizzaria para os lados de Famalicão, era tão bom nas quatro linhas como na confecção de pizzas, fossem elas simples margheritas, 4 estações ou a famosíssima pizza do Milton (com queijo, tomate, anchovas, espinafres, orégãos, bacon, pêlos do bigode do Rosado embebidos em molho vinagrete e cotão do Tuck regado com um fio de azeite virgem extra), o que lhe valeu a adjudicação da confecção de pizzas para o filme das Tartarugas Ninja, reconhecidas devoradoras dessas iguarias. Apenas para o primeiro; consta que a tartaruga Rafael deu-se mal com as pizzas do Caccioli e lançou um ultimato “ou o Caccioli ou eu!”, o que gerou algum atrito entre Rafael e Leonardo e Splinter, que eram verdadeiros adeptos das pizzas de Caccioli. Para as restantes sequelas, Caccioli seria então dispensado, mas tal foi a sua fama que, fora do palco, Leonardo e Splinter ainda não falam com Rafael e ambos compraram casa no Minho.



7 – Foram banidos jogadores com nome “Chico” da Primeira Liga por motivos de credibilidade. Os patrocinadores da Primeira Liga sustentam que “Chico” é sinónimo de vulgaridade e de um certo espírito labrego que querem erradicar de uma liga que deve ser vista como sinónimo de sobriedade, tal como foi comunicado num telegrama enviado à Liga de Clubes e interceptado pela CIA – Companhia de Interceptação Anónima, Lda.. Portanto, nada de Chico Silva, Chico Zé, Chico Nikita ou Chico Nelo. Já basta o Panandetiguiri, que é uma espécie de Chico Manel do Burkina-Faso. Também o uso de bigode e de uma unha do dedo mindinho proeminente para limpeza do salão está vedada. A própria barba de cinco dias do Villas-Boas foi vista de lado pelos patrocinadores, mas estes acabaram por condescender pelo facto do clone do Mourinho ter um nome com dois l’s. E porque se o recusassem acontecer-lhes-ia o mesmo que aconteceu ao Adriano.

domingo, dezembro 05, 2010

Chamar a Música - a Triquela com Prequelas

O comité de três do vosso blog preferido gosta de falar de música. Sim, nós não somos só bola. Também temos vida fora da blogosfera. Vidas mais ou menos inúteis, com mais ou menos pêlos debaixo do sovaco, com fins de semana de pijama e noites de sexta-feira que acabam com os vossos escribas a chamar o Machairidis.

É a Vida, e nós fazemos parte dela, tanto quanto ela faz parte do Paulo. E esta parece-me uma boa altura para fazer um trocadilho com o nome do Nuno Sociedade, mas não me ocorre nada. Adiante, que estou com fome e não quero deixar o texto a meio. E não me apetece cozinhar. Acho que vou ligar para o Take Away do Zhang Chengdong e pedir Moretto à Pequim (ah, o confortável mundo da piada fácil).

Isto tudo para dizer o quê? Que tal como vocês, também vibrámos com os Ban e chorámos ao som dos Três Tristes Tigres. Também dançámos slows com miúdas cobertas de acne nas festinhas de garagem à pala do Bryan Adams e já imitámos o timbre de voz (?) do Pedro Abrunhosa aos ouvidos de outras quantas. Já mandámos uma ou outra azeiteirola dar uma volta ao bilhar grande quando topámos que ela tinha um relógio dos Excesso. A música faz parte da nossa vida. Quem não se lembra do som que estava a degustar quando D. Russell Nigel Latapy I reconfigurou o tornozelo do Jokanovic ou quando o Toniño marcou o seu primeiro petardo de fora da área para lá do Marão?

Todos nós temos as nossas playlists, as bandas sonoras da nossa vida - que normalmente incluem pop com sintetizadores da década de 80 em doses proeminentes - e este senhor cá em baixo não é excepção:



















Zlatko.

Um homem dividido, um coração rachado a meio pela fria e impiedosa indústria do futebol. As quentes noites de paixão na cidade Invicta foram demasiadas para ele. Uma bela história de luxúria, futebol sensual vestido a lingerie de criatividade e sucesso. Títulos, glória, possivelmente drogas e prostitutas.
Zlatko tinha tudo. Tudo, menos a exclusividade do coração da urbe que o adoptara. O esloveno queria mais. Queria a aliança no dedo, sonhava com juras de amor eterno, mas o coração da cidade que deu o nome a Portugal já tinha dono(s). A Invicta, historicamente fiel aos seus, aberta para quem lhe quer e faz bem, estava comprometida com a testa de Mário Jardel, com o pé esquerdo de Ljubinko Drulovic, o cotovelo direito de Paulinho, os pitons de Jorge Costa e as férreas mãos de Lars Eriksson. Não havia espaço para mais. Num assomo de orgulho, Za exigiu o quebrar de tão intenso laço. Tudo ou nada. Deixando para trás nódoas de champanhe em lençóis de seda azulados, o avançado partiu. Tensão e revolta pairavam no ar como uma brisa de flatulência do Chippo.

Mas Za tinha um plano - a vendetta perfetta: a antiga amante azul e branca, sempre envolvida em paixões arrebatadoras, cedo iria ver o amargo esloveno na cama com a sua maior rival.

E desta feita, houve juras de amor. Za recebeu a chave do castelo, a suite com acesso ao coração da vermelha amante. Foram tempos de longos passeios na praia, chocolate quente à chuva e comédias românticas com o Hugh Grant no sofá da sala.

Finalmente, o amor encontrara Zlatko...mas Zlatko não encontrara o amor. A camisola vermelha fazia-lhe comichão. A glória escapava-lhe por entre os dedos. O sucesso era uma memória distante. Por muito amado que fosse, Za continuava a suspirar pela paixão que deixara a Norte. O champanhe, os hinos de vitória, a intensidade que cobre o violento ardor do afecto carnal ficaram definitivamente para trás - sem que tenha conseguido recuperá-los 300km a Sul.

Banhado a desalento, e perante a visão de uma ex-concubina nos píncaros da paixão Europeia e Mundial, o irascível esloveno decidiu mandar a carreira futebolística às urtigas e cuspir um álbum que sintetizava todos os sentimentos que lhe consumiam a alma e corroíam o espírito.

O resultado foi um dos melhores LP's dos últimos 15 anos:

"Dois Amores, Também eu Tenho" foi a confirmação do potencial baladeiro do Bardo dos Balcãs, com singles clássicos como o envolvente "Eu Fiz Basculação com o Kandaurov", o truculento "Festejei um Golo com o Folha e Não Gostei Particularmente" ou o inesquecível "O Cruzamento Atrasado do Carlos Secretário". Porém, a pièce de résistance será sem dúvida a balada "Quero Cheirar Teu Melão, Calado".

Tudo temas que confirmam Zlatko como ums dos maiores valores da sua geração. Imprevisível, versátil, irascível e temperamental, o Bardo dos Balcãs despeja fel, paixão e memórias várias neste pedaço de vinil...e quem fica a ganhar com isso somos nós.

Post Scriptum Cromatium: Sim, eu sei que estamos no final de 2010, mas tinha esta imagem encostada no meu PC há demasiado tempo. So there.

sábado, novembro 20, 2010

sábado, novembro 13, 2010

Sob o signo do Amor

A Cerquelha.


Poderosa entidade pilosa, marca indelével de personalidade vincada, carimbo de entrada para mil noites de prazer na cálida bôite do sexo oposto. Apêndice piliforme garboso, desenhando poemas através de penadas que fazem do céu estrelado mais um recreio da mono-sobrancelhose.

Bruno Ribeiro sabe do que falamos. O rústico gingão do Sado quebrou corações pelas bancadas portuguesas e britânicas com o seu estilo rural-casual durante década e meia do mais puro sexy football, alicerçado na brutalidade negligé de quem trata a redondinha com altivez carregada de piloso orgulho e frondosa glândula sebácea. Um metro e setenta e dois de pé esquerdo-arte, eternizado no museu do beautiful game.

Bruno "The Elland Road Heartbreaker" Ribeiro mostrou-nos que era possível juntar pêlo e esférico na mesma frase, enquanto se seduz uma elegante fêmea com doce cântico de origem dérmica, exaltado através de envolvente voz amparada num qualquer semáforo de uma cinzenta rua da vetusta e chuvosa Leeds. Só um louco ousaria apostar contra o sucesso do nosso Bruno e o seu confiante meio-sorriso, envolvido em leve odor de feno e curtume - seja às margens do Sado, seja na pachorrente urbe inglesa, a cerquelha levará sempre a melhor. E dama alguma jamais vos dirá o oposto.

Porém, Capitão Toby pisa outros terrenos: os da pequena área e da perene jovialidade envergonhada.

Um sedutor, versado nas intemporais artes do arrastar da asa, conjugadas com o bater de asas que potencia vôos à inalcançável gaveta, local onde os avançados sonham meter a redondinha com o mais desavergonhado golpe de ousadia. Ele chega lá.


Aliás, Capitão Toby é Ícaro nunca derrotado, Herói alado invicto na sua quimera de voar até onde mais nenhum Homem sonheu fazê-lo. Isto apesar de ser odontologicamente desfavorecido, claro.

Taborda é exemplo para todos os que nunca se atreveram a fantasiar em sair da mediocridade imposta por uma cremalheira agressiva. Toby apertou a mão a Deus, calcorreou as gélidas planícies do Planeta Vermelho e nadou na calmaria dos Anéis de Saturno. Toby beijou os abrasadores lábios de Vénus e cheirou o bigode de António Sala. Tudo porque estamos perante um Homem que se permitiu a si mesmo sonhar. Alcançar aquela bola impossível, sair ao cruzamento tenso de um lateral-esquerdo, fazer a mancha ao veloz avançado do Ceará.

"I've got you under my teeth", cantarolava o crooner Taborda às miúdas que o esperavam à saída dos treinos, enquanto procuravam ver o seu reflexo no impecável esmalte do guardião.

Depois lá se refugiava nos balneários com duas ou três sortudas de cada vez, perante o sorriso conivente dos seus companheiros de métier.
"Aqui está um homem que ousou sonhar!", sussurravam felizes enquanto se despediam a caminho de casa.
Com dentição perfeita, porém sós. Eternamente sós.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Apenas um Obrigado.. um ou dois.

Este obrigado é diferente de qualquer outro..
Este obrigado é para partilhar com todos vós..
Este obrigado é para quem lê o nosso blog...
Não, isto não é um texto de despedida!
Apenas quero apresentar jogadores a quem devem agradecer este post.

ThankGod

ThankGod Ameafele- jogador na Nigéria, mas que passou já por Polónia e Grécia, em clubes como o PAOK. Actualmente joga no Sharks, do seu país
Tem 1, 81m e pesa 73 kg. São 73 kg de Obrigado!













Mas não se pense que este agradecimento fica só no estrangeiro. Há também por cá... e bem à português!

Bem Haja
Andrew Fontes Bem Haja, nascido na Austrália, mas que passeia o seu futebol pela Distrital de Aveiro. Com apenas 21 anos, joga agora na Liga dos Amigos de Azura de Cima, da II Distrital, depois de ter passado pelo Azurva e Eirolense.
Como faz anos hoje, um grande abraço de Parabéns e um Bem Haja por este momento!

Nao temos fotos deste nosso compatriota, mas para nao haver dúvidas que nao somos criativos a ponto de inventar umjogador, aqui está a prova:


segunda-feira, outubro 25, 2010

A Playlist

Os novos talentos musicais desabrocham em programas de TV, depois de mergulhar contentores de adolescentes várias vezes por dia numa infusão de Lady Gaga + Mickael Carreira + Morangos com Açúcar prescrita pelos pais e educadores. E o país parece estar bem servido, avaliando pelas filas e filas de jovens desocupados que sonham trocar os cadernos pelos palcos com a complacência desses mesmos pais e educadores. Vai haver milhões de vocalistas bem-sucedidos, fugindo dos horrores do karaoke directamente para a capa das revistas. É o que lhes está prometido. E nós podemos não sair nunca da crise e estarmos para sempre dependentes das capacidades concretizadoras do Hélder Postiga, mas, pelo menos, estaremos cheios de estilo e saberemos como animar uma noite na praia junto a uma fogueira.

Já os velhos talentos musicais encontram-se, não na M80 que passa metade do seu tempo com conversa e publicidade de chacha, mas sim no futebol português, mormente na alaranjada II Liga. É verdade.

E há clássicos para todos os gostos. Começando logo pelo Rei. Sim, ele vive. E nós vimo-lo, incomodando avançados com os cotovelos em Santa Maria da Feira. Quando ginga as suas pernas, ele leva a transição ofensiva do adversário ao delírio. Quando pára e observa a multidão em êxtase, isso não significa que está a sentir a audiência, mas sim que está com enormes cãibras. Pois é, a idade não perdoa e a picanha antes dos jogos também não. Não acreditem quando ele diz “love me tender”, porque este menino é capaz de partir uma dúzia de tábuas seguidas só com a cabeça.
Na mesma equipa, podemos encontrar o alegre Mika, um tipo saltitão, deveras irritante com o seu falsete e que faz amigos com as borboletas. Quando a táctica passa por desconcentrar o adversário (i.e., o famoso “jogar no erro do adversário”), Mika é o nº1 – não há ninguém que o ature quando ele começa com aquelas cenas do “love, love me”. Nove em cada dez expulsões dos adversários em jogos do Feirense ocorreram por agressões a Mika. A outra expulsão foi a de João Pereira e não se deveu a nenhuma antipatia especial contra o Mika, mas sim ao seu feitio formatado no Casal Ventoso. Mika confessou-nos que o seu ídolo era o elefante Dumbo, por ser terno e carinhoso e outras mariquices do género, e que sabia que o Dumbo já tinha jogado em Portugal. Desapontámo-lo quando dissemos que Karagounis já cá não joga.
Movendo-se por paisagens mais alternativas, eis Beck. Não confundir com Bock, esse é um primo afastado que é um Super avançado das divisões inferiores, um senhor imperial na área, apreciador da pressão intrínseca destes escalões e que deixa um rasto de espuma de golos atrás de si. Este Beck é pau para toda a obra: faz rap, toca country, executa carrinhos arriscados, organiza a primeira fase de construção ofensiva com a cabeça levantada, ouve Sonic Youth e gosta de jogar ao meiinho nos treinos, mesmo quando fica no meio durante um treino inteiro. Porém, tanta polivalência tem os seus custos: quando as coisas correm mal, é o primeiro a ser acusado de “loser”. Até quando não joga. Que é o que costuma acontecer. “So why don’t you kill me?”, pergunta Beck em desespero. Bah, ainda não tivemos pachorra para te liquidarmos, só isso.
Na nossa proposta musical há evidentemente lugar para as baladas de amor, de maneira a chamar o mulherio para as bancadas. Representante do romantismo italiano, Ramazotti encanta as senhoras com a sua voz nasalada e a maneira escandalosa, mas altamente sensual, de desperdiçar golos com a baliza aberta de uma forma que até faz o Nuno Gomes corar de vergonha. E olhem que com as conversas que ouve no cabeleireiro já pouco faz corar o Nuno Gomes. Ramazotti estava na shortlist de aquisições do Gil Vicente, juntamente com Margão e Cimarron, e acabou por ingressar no clube apenas porque o acaso o quis. “Sono cose della vita”, confidenciou-nos.
Bom, mas também há espaço para a canção portuguesa. E enquanto aguardamos por alguém que jogue a médio-defensivo no Trofense que se chame Nel Monteiro e por algum Zé Cabra que desponte como extremo no Penafiel, já não é nada mau podermos partilhar momentos de fervor amoroso com Toy, a sirene humana de Setúbal. E também um avançado da egrégia geração encanada, “La Quinta del Pepa”, que contou com o próprio Pepa, este Toy, aquele Rui Baião, aqueloutro Mawete Júnior e o indistinto Tote. O Toy cantor desabafava que estava “estupidamente apaixonado” mas este Toy não demonstra paixão nenhuma. Pelo menos, por aquele espaço limitado por dois postes e uma barra, com redes ao fundo a decorar. Digamos que este Toy tem estado “estupidamente desapaixonado” em relação ao golo. E isto tem-se manifestado recorrentemente ao longo da sua carreira. Ou seja, esta é a verdadeira “Toy Story”.
PS – Decerto que toda a gente já constatou que Hélder Postiga, na realidade, não existe:
existe apenas um clone do Matt Bellamy dos Muse que faz uma perninha no Sporting. Espero que compreendam agora a falibilidade do suposto ponta-de-lança. Ele não quer golos, ele quer é Grammys. Ponto.

terça-feira, outubro 12, 2010

Todo o Cuidado é Pouco

Se passeássemos pela cidade berço nos inícios dos anos 90, algumas cautelas teriam de ser observadas. Nomeadamente:
- não podíamos carregar objectos cortantes nem artefactos explosivos;
- recipientes contendo mais de 100 ml de líquidos não poderiam ser transportados connosco;
- era forçoso evitar contacto ocular directo com Bené e Jorge.
As duas primeiras medidas foram tão célebres que, passados alguns anos, todas as companhias de aviação acharam graça e adoptaram-nas como suas; todavia, as gentes de Guimarães já há muito tinham abandonado essas práticas por ser virtualmente impossível controlar os destemperados Insane Guys.
Onde a porca torcia o rabo era mesmo na terceira medida.

Bené possuía um aspecto sinistro a que nem faltava uma perturbante cicatriz debaixo do olho. O olhar esgazeado, a forma carniceira como se lançava de pitons em riste sobre os adversários, as cabeçadas extemporâneas. Bené era para ter sido o assassino de uma sequela de Halloween, mas gostava mais da realidade como defesa-central. Uma vez houve um adepto que protestou contra a forma como Bené deixou fugir o jogador que marcava à zona num canto e Bené sacou de um bisturi para o disciplinar. Valeu o Luís Freitas Lobo para dizer que a responsabilidade pela marcação ao avançado era do segundo ponta-de-lança que devia ter recuado para compensar a subida dos centrais, o adepto retractou-se e coisa ficou por ali. Mas Bené não esqueceu e ainda hoje se queima com cigarros acesos quando se recorda desse infame episódio.

Jorge era a cara chapada de um ex-presidiário. Alguém que fugiu de um estabelecimento prisional num carro da lavandaria, ou que degolou alguns guardas prisionais na sua fuga com uns lençóis atados através da janela cujas grades foram desgastadas por uma lima escondida dentro do bolo de aniversário trazido pela sua prima, ou por intermédio de um túnel escavado com uma colher durante anos. A sua alcunha era “167-716”, ou simplesmente “o Metralha”. Detestava o Sporting, por ter equipamentos às listas horizontais que recordavam-lhe o presídio. Dentro de campo era inflexível. No balneário ninguém queria tomar banho ao lado dele e foi na sua altura que se começou a generalizar o uso de gel de banho em detrimento do sempre fugidio sabonete. Nunca sorria. Era de poucas palavras. Quando abria a boca, era para afugentar os avançados com o seu bafo indescritível: o bafo de Jorge era o Chanel nº5 do pivete.

Porém, nem tudo era má cara em Guimarães. Três simpáticos africanos faziam o contrabalanço com a sisudez de Bené e Jorge. M’Bouh era um gajo cinco estrelas. Uma pessoa perguntava-lhe “Ó meu, queres vir connosco?” e ele “M’Bouh, M’Bouh!”. Nunca dizia que não. N’Dinga dispensava apresentações, de tão carismático que era este zairense. Com uma expressão tranquila e uma calma que transpirava sapiência, N’Dinga foi o guru espiritual vimaranense na transição da década. E para Basaúla, todo ele sorrisos e gargalhadas que perfaziam o dobro do volume das suas tímidas orelhitas, nunca havia stress, a vida era para curtir.
Com estes três não havia problemas de relacionamento, de tão bem dispostos que eram. Até porque mal compreendiam o português e quase ninguém falava o basaa ou o kituba. O mais fácil era comunicarem com djembés e danças exóticas que acabavam invariavelmente com uma lança espetada no relvado.

Mas com Bené e Jorge era complicado. Ziad deixou uma vez uma nota de mil escudos escondida debaixo das caneleiras no balneário e quando regressou já lá não estava. Lavado em lágrimas, queixou-se ao presidente. Chegou Pimenta ao Machado do dirigente, que ordenou aturado inquérito para apurar responsabilidades. Duas pessoas desapareceram, outras duas foram assaltadas e várias receberam ameaças telefónicas à sua integridade física e à dos seus. Ziad deixou de marcar golos durante semanas, psicologicamente devastado. Finalmente, a época acabou. Bené e Jorge foram oficialmente dispensados, mas há quem diga que violaram a sua liberdade condicional e foram recolhidos pelas autoridades. Ziad recuperou, enfim, os seus mil escudos. E foi feliz para sempre, marcando golos atrás de golos e deixando para trás o velho trocadilho jornalístico que lhe ensombrou durante o jejum de golos: “mais uma tarde aziaga para Ziad”.

sábado, outubro 02, 2010

A arte de voar e a protecção...

Que grande imagem.
É um pássaro? Um avião? Um papel do lixo a voar pelas ruas? Um macaco?

Não! É Luís Manuel! Guarda redes do Sporting de Espinho. 1996-1997.
E neste imagem leva com um biqueiro de Mário Jardel, Mário Jardel, Mááário Mááário´Máaario Jardel, Mário Jardel, Mário Jardel, Mááário Mááário´Máaario Jardel,
Desculpem, entusiasmei-me, senti-me um Juve Leo de cachecol ao peito... mas sem estupefacientes no bolso!
Carlos Carvalhal, muitos anos antes de estar sentadinho a comentar na TV, protege as suas partes baixas, porque Luís Manuel a voar como estava nao era para brincadeiras...
Mesmo assim, Carvalhal optou por fechar os olhos, para não ver caso acontecesse alguma catástrofe.

Ah, o FCPorto ganhou 2-0 neste jogo. No tempo de Oliveirinha e companhia..

terça-feira, setembro 28, 2010

A Temática do Dirigismo

Basicamente, podemos encarar o dirigismo desportivo de duas formas.

A primeira é levar as coisas em esforço.
Eis o exemplo acabado: Óscar Rocha, líder da Comissão Executiva do Santa Clara. Falar em “Comissão Executiva” dá imediatamente a ideia de que a vocação do homem não é propriamente ser presidente de um clube de futebol. Uma “Comissão Executiva” faz lembrar uns tipos que se organizaram para arranjar o baile lá da terra. E o pobre Óscar ficou com a responsabilidade de gerir os fundos da quermesse porque era o mais hábil a contar notas de 10 euros e a organizá-las numa caixinha de cortiça, longe do olhar dos bêbados que cirandam à volta do bar com as suas Zundapps barulhentas.
No fundo, dirigir um clube de futebol não é com ele. A expressão diz tudo. Aturar empresários. Planear orçamentos. Aturar egos. Escolher treinadores. Aprovar jogadores da shortlist. Atender telefonemas. Sentar-se ao lado de outros dirigentes que cheiram mal só para parecer cordial. Reunir com tipos que passam o tempo todo a palitar os dentes e a falar da arbitragem, “a porcaria da arbitragem anda a perseguir-nos”. Sofrer a contestação dos adeptos que não percebem nada de contas mas sabem muito bem ver que o passivo está alto. “Nem cum orde do padre cura era capá de meter o passive assim!”, protestam os micaelenses, em arrazoados imperceptíveis. E depois é vir ao continente de 15 em 15 dias e enjoar ao viajar de avião, esperar intermináveis horas em aeroportos e descobrir que as suas vacas já não dão leite e ele nem sequer pode pensar nos seus problemas pessoais. Uma chatice. Uma tarefa hercúlea. É de pôr os bofes de fora. É de suar em bica. É exigir paciência de chinês.
Bom, mas não sejamos totalmente injustos, que Óscar Rocha tem experiência de dirigente no hóquei em patins açoriano. O que é fantástico, dado que maior parte das pessoas nem sonha que possa haver patins nos Açores.

A segunda forma é levar as coisas com naturalidade.
E Isidoro Sousa (Olhanense) personifica essa confiança. Ou melhor, o excelso bigode de Isidoro Sousa transpira, para além de resíduos gordurosos e vapores etílicos, uma enorme dose de determinação. O bigode de Isidoro é uma espécie de último reduto da resistência masculina lusitana, ora convertida a um deserto de metrossexualidade impregnada de geles e loções. Já não há gente nem bigodes assim no nosso futebol. Isidoro é “one of a kind”. “Desenrascanço” é o seu nome do meio. Se os outros andam de BMW e chauffeur, Isidoro circula com o braço dependurado no seu Ford Escort de 1984 pela Riviera algarvia; se os outros andam em spas, Isidoro frequenta o Festival do Marisco e bate records de minis emborcadas numa só noite; se os outros falam em “project finance” e “emissão de obrigações convertíveis”, Isidoro fala em “arranjar uns trocos junto dos industriais conserveiros da região e quem sabe sacar um patrocínio jeitoso à marca de gelados com sabor a sardinha assada”; se os outros tentam ser diplomatas e arranjar as palavras certas, Isidoro não terá pejo em mostrar os pêlos do peito e largar uns sopapos nos oponentes. É por isso que Isidoro revela todas as condições para emparelhar com esse grande mito dos tempos modernos, o verdadeiro Viriato do gangsteirismo que é o Rocha, o saudoso Rocha do Duarte & Companhia.

Bom, mas há sempre uma terceira via, sempre na voga. E essa é a de adoptar uma postura paternalista, distante mas omnipresente, nem bem aqui nem bem ali mas também sim e muito pelo contrário. Digam-me lá se o mui afamado Vítor Magalhães (Moreirense) não se parece com um senhor que até ganhou um determinado concurso aqui há atrasado e que tem nome de utensílio culinário. Até a cair da cadeira o jeitinho é semelhante.

domingo, setembro 26, 2010

Há jogadores em baixo ... de forma..

E também há clubes em alta e em baixo de forma, como parece estar este ano o Braga.
Domingos deve andar a fazer contas à vida, já que nao estava tão em baixo há mais de um ano.
Noutros tempos, documenta o nosso repórter secreto, estava em baixo e parecia achar piada...
Jorge O Bicho Costa, por outro lado, estava calmo e sereno por cima... com as duas mãos a controlar quem estava por baixo. Deve certamente lembrar-se desta foto quando agora se vê por cima de Domingos no campeonato, algo raro desde que são treinadores. Diria mesmo inédito..
Aloísio, além de estar debaixo de Jorge Costa, ainda tinha que ouvir os gemidos de Domingos! Por isso, tentava tapar a todo o custo os ouvidos.
E assim se treinava nos anos 90..!

terça-feira, setembro 21, 2010

Uma Pollga Destas Merece Sobrancelhas A Condizer

Caros apaniguados, quando lerem estas linhas provavelmente o prazo de validade da Pollga que estava do lado direito já expirou (partindo do pressuposto que a viram). O que vem muito a propósito, dado que a carreira da musa inspiradora deste nome, o eterno ex-campeão do mundo Anderson Polga, parece também padecer da mesma maleita.
E eis os resultados finais:
66 tristes diabos ousaram clicar num botãozinho de forma mais ou menos aleatória, alguns talvez mais que uma vez, imbuídos de um fervor de contornos Ultra. Dá mais ou menos uma pessoa por cada dia e meio. Pode parecer pouco, mas desafiamos a U. Leiria a lançar uma iniciativa semelhante no seu estádio e logo comparamos.

(Num aparte, continuamos a exortar os fiéis devotos da nossa SAD a visualizar o vídeo imediatamente abaixo do dístico “Caixa de Gorjetas” – nem precisa de ser até ao fim – para assim contribuir com míseras décimas de cêntimo para os nossos depauperados cofres. Eu, por exemplo, prometi a mim mesmo que só voltaria a comprar uma pastilha Gorila – tutti-frutti – assim que a SAD começasse a dar lucro e agora falta-me qualquer coisa para colar sob o tampo da mesa.)

Há mais adeptos a gostar dos textos que das fotos ou vídeos, que são janotas, sim senhor, mas não são o ponto mais forte da SAD para quase ninguém. Isto porque a maioria da massa associativa também tem essas cadernetas e Cadernos d’A Bola e trabalha melhor com Photoshop, embora seja mais preguiçosa. Há ainda dois furiosos anti-SAD e para esses encontro uma explicação: um é adepto do Gil Vicente e não gostou da associação nauseabunda que fizemos ao mítico Adelino Ribeiro Novo e o outro era o Calado.
Muito curiosa foi a resposta de 13 pessoas que declararam anonimamente juras de amor à nossa Direcção, indo ao ponto de despirem os seus soutiens só para nós (era isso que estava em causa; se não leram com atenção, paciência). A todas vós, meninas, agradecemos e reiteramos a disponibilidade para um table dance privado e confidencial, nas nossas ou nas vossas instalações – mandem-nos um mail e fotografias de corpo inteiro para avaliarmos as vossas capacidades técnico-tácticas.
Sublinho, meninas; Rochembacks, apesar dos seus seios tamanho > 38 e, eventualmente, um bom pontapé-canhão , não serão bem-vindos.

O vencedor incontestado é, claramente, a última opção: o “I don’t care and I don’t give a sh*t”. A nossa massa associativa é maioritariamente resultadista e não interessa o quão adornada seja a jogada, desde que a bola seja posta lá dentro; não importa que tentemos sair a jogar de cabeça levantada, interessa é que o jogador não passe se a bola já lá vai; e é imperioso que a bola vá para as couves se estamos a ganhar por 1-0 a cinco minutos do fim. E nesse espírito, queria presentear-vos com um dos melhores cromos da temporada, o distinto Matias Oliver:
É do Santa Clara e tem tudo para ser uma estrela brilhante na constelação Draskovikiana dos avançados com pouco faro pelo golo mas muito instinto cromático. Desde o facto de ser conterrâneo do Maxi Bevacqua, passando pela tímida mullet completamente outdated e acabando na tentativa de alcançar o patamar monocélhico de S. Exa., D. Jaime Cerqueira, exibindo duas tão frondosas quanto arquitectónicas sobrancelhas.
É esta a forma que temos de dizer “obrigado” a todos os nossos associados. E reiteramos que o nosso povo merece mais e melhores cromos.

domingo, setembro 19, 2010

Mundo de Aventuras

Boavista ou Ban? A eterna dúvida. João Loureiro levou ambos aos píncaros e depois deixou-os em ruínas. Como um meio-campo calcado por outro Loureiro, o selvagem Luís. E em ambas as tarefas passeou o seu estilo. Apreciemo-lo, então.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Uma conversa de balneário

Todos os anos sai para as bancas o Caderno d'A Bola, mítica e reputada publicação de Verão. Era ver os jovens agarrados à revista para saber as contratações, ver as caras e guardar um ou mais ídolos na sua gaveta. Hoje com a internet essa mística perdeu-se...
Lançou-se entretanto a revista do Record, também a do O Jogo, e agora é o Jornal de Notícias, Público..etc tudo lança o seu "Caderno d'a Bola".
Mas ali para os lados de São Pedro do Sul saiu um caderno local, com fotos e plantéis da zona de Viseu.
E numa dessas equipas, neste caso o Sampedrense passou-se uma conversa de balneário muito interessante que a nossa fonte e enviado especial passa a relatar.


Jogador 1 (não posso citar nomes) :

 " Ei
Viste por aí o meu

?

Jogador 2 (continuo a não poder citar nomes): " Não pá, nao vi nada. E achas quem sim? Não ando praí a olhar para ti. E além disso, não consigo vê-lo, nao ves que eu sou um gajo alto e tu és

 
Jogador 1 novamente: "Ó pá nao te armes em



Jogador 2 : "Ei, Man, já encontrei!!

(e com uma voz anasalada, da gripe apanhada no balneário o jogador grita)
Tá gui, tá gui, encontrei-o!

Jogador 1: "Ah, ok. Onde o viste?"
Jogador 2: "Estava debaixo do bigode do mister.. sabes como ele é, ele controla tudo.. basta ver a cara dele de guitarrista Guns'n'Roses mas sério..


Por aqui se vê que o ambinete no balneário é excelente! Isto sim, é espírito de equipa!!
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